A ocupação pré-histórica na margem ribeirinha de Loures: Síntese dos trabalhos desenvolvidos na freguesia de Santa Iria da Azóia
- Ana Rosa
- Arqueóloga sem afiliação
- Língua: Português
- DOI: doi.org/10.82151/CPGP.BArt.00038
- Palavras-chave:
Pré-história; Estuário do Tejo; Arqueologia Preventiva; Meio Urbano. - Resumo:
O concelho de Loures apresenta uma longa diacronia ocupacional, sendo, particularmente, profícuo em vestígios arqueológicos enquadrados na pré-história antiga. Destaca-se, neste domínio, as jazidas identificadas na Várzea de Loures, área, que pelas suas características geomorfológicas, propiciou a exploração e talhe da pedra junto das fontes de abastecimento em recursos líticos, assim como, a caça em locais situados ao fundo dos vales. Por ora, as colecções que têm vindo a ser estudadas, desde os finais do século XIX, tornam este território, peculiar no contexto do Paleolítico da região de Lisboa. No que respeita à margem ribeirinha do Tejo existe, pelo contrário, um enorme vazio. Numa breve pesquisa bibliográfica, encontramos facilmente referências relacionadas com a sua história mais recente, com destaque para as quintas de Valflores (século XVI), e da Amoreira (século XVIII). Mas, esta faixa, rica em recursos naturais, desde logo, banhada pelas águas do rio não seria atrativa aos grupos humanos do passado? Com efeito, os trabalhos arqueológicos realizados nos últimos anos têm permitido a identificação de achados que, embora, de carácter disperso e/ou ocasional, são indicativos de uma presença mais antiga no espaço e, sobre a qual, nos propomos abordar.
- Key-words:
Prehistory; Tagus estuary; Preventive archaeology; Urban environment. - Abstract:
The municipality of Loures presents a long occupational diachrony, being particularly fruitful in archaeological remains framed within early prehistory. In this domain, the deposits identified in Várzea de Loures stand out, an area which, due to its geo-morphological characteristics, promoted activities related to the exploration and stone carving, as well as hunting of large size animals in places at the bottom of the valleys. (Currently,) the collections that have been studied since the 19th century, make this territory peculiar in the context of the Paleolithic Age in Lisbon region. On the other hand, regarding the River Tejo, there is an enormous void. In a brief bibliographical research, we easily find references related to its more recent history, with emphasis on the properties/farms/country houses of Valflores (16th century) and Amoreira (18th century). However, wouldn’t this range, rich in natural resources, and early on bathed by the waters of the river be attractive to people of the past? Indeed, the archaeological work carried out in recent years has allowed the identification of findings that, although of a scattered and/or occasional nature, indicate an older presence in space, which we propose to address.