As Aves Fósseis de Portugal: Estado do Conhecimento e Novos Dados
- Silvério D. Figueiredo
- ORCID - 0000-0002-6197-375X
- Instituto Politécnico de Tomar | Centro Português de Geo-História e Pré-História | Centro de Geociências da Univervidade de Coimbra
- Língua: Português
- DOI: doi.org/10.82151/CPGP.BArt.00002
- Palavras-chave:
Cenozoico, aves, registo fóssil, Portugal. - Resumo:
Apresenta-se o registo fóssil de aves em Portugal, com enfase para as jazidas anteriores ao Plistocénico. Este trabalho consistiu no levantamento bibliográfico dos fósseis de aves já descritos e no estudo de um conjunto de restos de aves fósseis ainda não publicado, a maioria das quais em depósito no Museu Geológico. Apenas cinco publicações abordam especificamente restos de aves fósseis anteriores ao Plistocénico, as restantes apenas fazem referência à presença de aves, no contexto de estudos sobre vertebrados fósseis portugueses. Os fósseis de aves mais antigos conhecidos em Portugal datam do Jurássico Superior, e são um conjunto de dentes atribuídos por Weigert a Cf. Archaeopteryx. Com a exceção de uma ulna, possivelmente de ave, encontrada no Cabo Espichel, não são conhecidos mais restos de aves mesozoicas em Portugal. Do Cenozoico são conhecidas sete jazidas com restos de aves: Silveirinha, do Eocénico, onde Harrison identificou um charadriiforme (Fluviatilavis antunesi) Penedo – Sesimbra; Aveiras de Baixo e Amor – Leiria (aves não identificadas); em Lisboa estão publicados dois restos de aves miocénicas encontrados no Olival da Susana (Paleoperdix) e na Quinta das Pedreiras (Gruidae); na Costa da Caparica – Almada, foi descoberto em 1976 um externo de Pelagornis miocaenus. Do Plistocénico, são conhecidas várias jazidas, onde estão identificadas várias espécies dos principais grupos de aves ainda existentes na atualidade. De entre as espécies identificadas no Plistocénico português, 80 no total, apenas 8 (10%) são espécies extintas ou que já não existem em estado selvagem. No Museu Geológico existe um conjunto de fósseis de aves do Miocénico ainda não publicados e/ou estudados. Trata-se de um conjunto de 9 restos, provenientes de 5 jazidas miocénicas (Quinta das Freiras e Olival da Susana, em Lisboa; Anchino e Barreiro do Oleiro, perto de Vila Nova da Rainha e Aveiras de Baixo) que pertencem a três grupos de aves: passeriformes, anseriformes e galiformes. Na praia do Penedo, foi encontrado um novo resto de ave, pertencente ao grupo dos suliformes.
- Key-words:
Cenozoic, birds, fossil record, Portugal. - Abstract:
We present the fossil record of birds in Portugal, with emphasis for the pre-Pleistocene deposits. This work consisted in bibliographical survey about the remains of birds already described and published and in the study of a set of remains of fossil birds not yet published, most of which are on deposit at the Geological Museum, in Lisbon. There are few published studies on fossil birds of Portugal, specially birds that existed before the Pleistocene. The few publications about Mesozoic and Cenozoic birds in Portugal were done by Zbyszewski and Ferreira, 1967; Antunes, 1981; Harrison, 1983; Sanches-Marco, 1987, who makes a resume about the Miocene birds of Portugal; Weigert, 1995; Mourer-Chauviré and Antunes, 2003 and Gerald et al., 2008. Of these, only five are specifically about bird fossil remains. The earliest known fossil of birds in Portugal date from the Late Jurassic: a tooth that Weigert attributed to Cf. Archaeopteryx. With the exception of an ulna, possibly from a bird, found in the Cabo Espichel, there aren’t any more known remains of Mesozoic birds in Portugal. From Cenozoic are reported, in some publications, seven palaeontological sites: Silveirinha, (Eocene), where Harrison has identified a charadriiforme (Fluviatilavis antunesi), Penedo-Sesimbra, Aveiras de Baixo and Amor – Leiria (Miocene), where unidentified birds were mentioned. In Lisbon, two Miocene bird remains were found in Olival da Susana (a Paleoperdix) and, in Quinta das Pedreiras (Gruidae). In Costa da Caparica – Almada, one sternum of Pelagornis miocaenus was discovered in 1976 and described by Gerald et al, in 2008. In the Geological Museum of Lisbon there is a collection of fossils from the Miocene birds not yet published, that are studied in this work. This is a set of 9 remains from five Miocene localities: Quinta das Freiras and Olival da Susana, in Lisboa, Anchino and Barreiro do Oleiro, near Vila Nova da Rainha and Aveiras de Baixo; they belong to three groups of birds: Passeriformes, Anseriformes and Galliformes. From Praia do Penedo more remains of birds were identified, belonging to the Suliformes. Most of the birds species identified from the Pleistocene belong to birds still existing today. Of a total of 80 species identified as dating from the Pleistocene, only 8 (10%) are extinct today or no longer live in the wild in Portugal. Some of them still live in other parts of Europe, such as the Pyrrhocorax graculus, the Cygnus olor and the Mergellus albellus; only the Pinguinus impennis and the Corvus antecorax are known to be really extinct.